Centrão cobra cargos por apoio a reformas

Partidos que garantiram arquivamento de denúncia contra Temer querem postos ocupados por ‘infiéis

-Brasília- Os partidos do centrão – PP, PR, PTB, PSD, SD e PRB – , fundamentais para a derrubada da denúncia contra o presidente Michel Temer no plenário da Câmara, se rebelaram e ontem escancaram a cobrança da fatura ao Palácio do Planalto: querem a punição dos deputados da base que foram infiéis a Temer com a demissão de seus indicados no governo e a redistribuição desses cargos entre o grupo fiel. O líder do PP na Câmara, deputado Arthur Lira(AL), e o deputado Marco Montes (PSD-MG) foram os porta-vozes da insatisfação.

Sem meias palavras, Arthur Lira disse que o PP não vota a reforma da Previdência e cobrou mudanças na articulação política do governo. Ele disse que é “ruim na política tratar os desiguais como iguais” A maior reclamação é com o espaço dado ao PSDB, e há pressão para a saída de Antônio Imbassahy do cargo de ministro da Secretaria de Governo, que cuida da articulação política. O próprio Imbassahy e o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, se reuniram com parlamentares do centrão para prometer que serão feitos “rearranjos” nos segundo e terceiros escalões do governo.

Arthur Lira disse que falava pelo PP e não pelo centrão, mas criticou ainda a má comunicação do governo sobre a reforma da Previdência.

– Os deputados, os partidos não aguentam mais. Neste momento, o meu partido não discute e nem vota a Previdência. É preciso um esclarecimento de como tratar quem é base e quem não é base. São 32 articuladores e ninguém articula nada! Enquanto não resolver isso, da coordenação política, não há o que fazer. Em política, tratar desiguais como iguais é muito ruim disparou Arthur Lira.

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), verbalizou ontem as dificuldades. Apesar de ser o maior defensor das reformas, admitiu que o cenário é difícil. O Palácio do Planalto avisou aos parlamentares que quer votar a reforma da Previdência na primeira semana de setembro e que quer o texto integral.

– O cenário não é fácil, mas não é porque o cenário não é fácil que a gente vai desistir. Vou continuar insistindo, com calma. A gente tem a reforma política para ser votada no mês de agosto, e temos algumas semanas para mostrar aos deputados que, se a situação econômica é hoje e se não dermos uma sinalização, o ano de 2018 pode ser ainda pior – disse Rodrigo Maia.

IMBASSAHY PEDE TEMPO PARA AVALIAÇÃO

O tucano Imbassahy disse aos insatisfeitos que está “cansado” e pediu um tempo para fazer a radiografia do mapa da votação da semana passada. O deputado Marcos Montes disse a Imbassahy que o governo não pode tratar os infiéis da mesma maneira que os 263 deputados que fecharam com Temer. Aliados como o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), da bancada ruralista, também foram chamados ao Planalto.

O deputado Marcos Montes criticou, sobretudo, a falta de punição a deputados do PSDB. A bancada tucana rachou, com 22 votos a favor de Temer e 21 a favor da denúncia. Para o deputado, o espaço deveria ser de acordo com a fidelidade e que até o PSD merece baixas, diante do fato que PP e PR forma mais confiáveis, por exemplo.

Apesar das pressões, o Planalto só deve fazer remanejamentos pontuais no segundo e terceiro escalões. E o PSDB não deve ser punido, já admitem parlamentares que estiveram no Planalto. Temer precisa de votos para a reforma da Previdência, e o PSDB é parte fundamental da estratégia. Cargos na Ancine, no Ibama e no Instituto de Cardiologia devem ser negociados.

Cristiane Jungblut
FONTE: O GLOBO



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