Há muito se criou aqui no Brasil a concepção de que o servidor público é um privilegiado e que na máquina estatal só existem apaniguados e incompetentes. Será?

Anote: para ingressar no serviço público o sujeito tem que vencer barreiras quase intransponíveis, ou seja, transpor a pedra que o poeta avistou no meio do caminho. A primeira delas é largar tudo, se isolar dos amigos, das festinhas, e se debruçar nos livros diuturnamente. Afinal, para vencer a maratona de um concurso público, com milhares e milhares de concorrentes, o candidato precisa estar muito bem preparado.
Não é por mero acaso que o serviço público está repleto de excelentes cabeças. Consultores, analistas, técnicos, auditores, cientistas, profissionais de alto nível, muitos dos quais com graduações em diversas áreas do conhecimento: mestrado, doutorado e pós-doutorado. Estão lá para prestar serviços de qualidade ao cidadão.

Servir bem, para o servidor, além de obrigação, é uma questão de ética, um mandamento sagrado. É como uma cláusula pétrea que nunca pode ser quebrada.
A Semana do Servidor (23 a 29 de outubro) é um momento não só de celebração, mas também de muita reflexão acerca dos agudos problemas que inquietam a nação brasileira. Um desses problemas é a forma precipitada com que o governo vem tocando as tais reformas.
Sua estratégia é desqualificar o servidor e passar o trator de sua truculência por cima de nossos direitos, artifício que só causa retrocesso para o Estado. No fim, quem vai sofrer as consequências disso é o cidadão, é a sociedade como um todo. Quem gosta de ser espoliado?
Eles esquecem que a participação do servidor é condição essencial para um Estado forte, soberano e democrático. E mais: o servidor é consciente da crise que atravessamos. Ele assume a sua cota de penitência, mas defende que o sacrifício tem que ser de todos.
Em algumas áreas, como se sabe, as condições de trabalho são precaríssimas. Há casos em que um médico faz um atendimento público e nem sequer dispõe de bisturi.
Essa história, portanto, de o governo querer transformar o servidor em bode expiatório é uma total falta de respeito com quem presta relevantes serviços à nação. E mais uma agressão que fere profundamente o servidor público.
A propósito, é bom lembrar que os servidores do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e do Tribunal de Contas da União (TCU), por exemplo, desempenham tarefas de extrema importância para a vida do cidadão.
No Congresso, seus agentes se destacam pela eficiência e dedicação ao trabalho, em todas as áreas de atividades.
Quando da elaboração de importantes leis que regem os destinos da nação, como a Lei Maria da Penha, o Código Penal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso, a Lei Anticorrupção, e a própria Constituição Federal de 1988, lá estão eles a postos, a redigir e revisar textos, a trocar ideias com os parlamentares na edificante missão de servir bem ao público.
Os agentes do TCU, responsáveis pela fiscalização e julgamento das contas públicas, também se esmeram na prestação de relevantes serviços. Queremos deixar, por fim, aqui registrado, o nosso respeito, o nosso abraço, a nossa admiração a todos os servidores públicos do Brasil. Com um lembrete: a luta não acabou, companheiros.
Ficam também estas três perguntinhas no ar: antes de reformar, por que o governo não começa pelos grandes devedores dos cofres públicos? Por que, em vez de perseguir os servidores, o governo não prioriza a sua fiscalização para recuperar os bilhões de reais que grandes empresários devem à nação? Por que, afinal, não temos um processo mais vigoroso para coibir a corrução no país?
A sociedade, ansiosa, espera pelas respostas.
PETRUS ELESBÃO é presidente do Sindilegis (Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União)
Sindilegis



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